Blog dedicado ao universo dos livros Orbias. Aqui podem encontrar as últimas novidades e surpresas acerca da saga de fantasia da autoria de Fábio Ventura e editada pela Casa das Letras.

Segunda-feira, 4 de Julho de 2011

Os livros e a crise

Ou "a crise e os livros", depende da forma como analisam a situação.

Para quem não sabe, recentemente lancei-me num novo desafio profissional. Há quase três anos numa busca infrutífera por emprego na minha área (Comunicação), resta-me aproveitar os part-times e trabalhinhos que vão surgindo. Neste momento, trabalho em regime de part-time numa livraria, o que tem sido interessante para analisar uma outra perspectiva do mercado literário do qual faço parte.

Numa altura em que já atendo centenas de turistas portugueses que estão pelo Algarve, tenho tido oportunidade de tirar algumas conclusões nada boas. A primeira é que o mercado dos livros está realmente com uma GRAVE crise. O que é normal, uma vez que em alturas de crise económica e financeira as pessoas começam por cortar com os bens culturais. Porém, essa é uma crise que afecta maioritariamente os livros de ficção. Se observarmos os top's de vendas das maiores cadeias de livrarias, percebemos que, ironicamente, os livros mais vendidos estão relacionados com a crise política, económica, financeira, social, etc. Sei que não posso generalizar a situação de uma loja a todo o país, mas certamente que as centenas de livreiros deste país podem confirmar isto. Afinal, são eles o último "anjo da guarda" de um livro antes de ele chegar às mãos do leitor.

Custa-me quando um leitor agarra num livro, muda para uma expressão triste e volta a pousar o livro na prateleira porque quer lê-lo, mas não pode comprá-lo. Não naquele mês. Possivelmente, não nos próximos. Até a mim acontece isso.

Obviamente que o público (e até os autores) não se apercebem, mas tenho a certeza que nos bastidores do mercado literário, editores, distribuidores e livrarias têm tido umas valentes dores de cabeça para tentar superar uma crise que se avizinha duradoura e ainda mais dura do que é agora. É realmente um grande desafio o de quem trabalha no mundo dos livros. Que estratégias e desafios podem as editoras adoptar para se adaptarem a estas mudanças no nosso país se querem que o mercado literário se mantenha vivo e dinâmico como tem sido até agora?

No entanto, a minha maior preocupação é outra: os autores. Onde ficam os autores no meio desta crise? Qual o seu papel? Obviamente que não estou a falar dos gigantes portugueses cujo nome ainda consegue vender mais facilmente que o próprio livro. Estou a falar de autores que, tal como eu, não têm uma poderosa máquina de marketing por trás e que se debatem diariamente para dar a conhecer os seus trabalhos, para estar a par dos seus desafios, para divulgar as obras na web e em eventos literários, tudo para no final do dia perceberem que as coisas não estão nada, nada fáceis e que os obstáculos são mais que muitos.

Sinceramente, esse é um problema para o qual não vejo uma solução imediata. E digo-o enquanto autor, leitor e, agora, livreiro. Talvez fosse uma boa altura para pôr de lado divergências, discussões, competições e afins e propor mais espírito de união entre autores, editores, tradutores, livreiros, etc. para tentar superer os efeitos nefastos da crise. Tudo para e pelos livros e autores nacionais.

Ou então a minha utopia é grande demais para um pequeno país que se está a fechar sobre si próprio...

5 comentários:

  1. Acho quase impossível "pôr de lado divergências, discussões, competições e afins", até porque são características demasiado enraizadas. Aliás, se calhar o que faz falta é mais disso, algo que crie mais polémica (afinal, não há nada que venda tantos livros...)

    Por outro, a ideia de uma rede de colaboração entre autores, blogger e editoras no sentido de ajudarem a divulgar autores portugueses parece-me interessante. Longe de mim acreditar que as pessoas o fariam "pela bondade dos seus corações", porém, a publicidade seria útil para todos.

    http://cronicasobscuras.blogspot.com/

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  2. A crise é só para alguns...se olharmos à nossa volta, em algumas classes nem se nota que a crise passou por elas...

    Eu sou uma viciada em livros. Adoro LER, mas ultimamente tenho pensado 2, 3, 4, infinitamente, vezes sem conta se compro ou não os livros ou simplesmente os requisito nas bibliotecas publicas e isto porquê!? Pelo preço unitário dos livros, sejam eles de autores portugueses ou traduzidos. Acho um exagero o preço "dado" a alguns livros que nem tapam o "buraco do dente", tão minusculos e com poucas páginas...

    Depois há a o plano de leitura nacional... Promovem a leitura de livros de autores portugueses, mas sendo eles de origem nacional não deveriam ter preços mais sugestivos!? Mais acessiveis ao povo!? Aqui não podem dar a desculpa da despesa em traduzi-los... mas parecem que aqui sempre foi assim!!! Tudo o que é de origem nacional SEMPRE foi mais caro que o que é de origem INTERNACIONAL. E é assim que querem sair da crise!?
    Vamos a uma livraria e se compararmos preços dos livros de lingua estrangeira, estes são a metade do preço do mesmo livro traduzido... Logo é normal que peguemos no livro lemos o sinopse, ficamos interessados, mas quando olhamos para o preço, voltamos a colocá-lo na prateleira... Depois, por curiosidade, vamos ver o mesmo livro na prateleira dos livros em lingua estrangeira... e Voilá... Que preço!!!! VALE A PENA!!! Mas se não estivermos à vontade com a lingua em quest~~ao, voltamos à estaca zero e saimos da livraria desiludidos... (E isto falando em livros internacionais)...

    Quando vamos à procura de livros nacional... Bolas! Que chatisse! São tão caros!!!! Alguns, se comparamos volume vs preço, justifica-se, outros... Bolas! que exagero!

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  3. Concordo quando dizes que os autores se deveriam unir. Criar mais eventos literários, dinamizar ainda mais a proximidade leitor-autor.
    Mas, sinceramente, acho que o que precisa mesmo mudar neste pais, são os preços!
    Cada vez compro menos livros portugueses por causa dos preços. É impossível dar +18€ por um livro hoje em dia. Adoraria comprar mais publicações portuguesas, mas não dá e as editoras têm de começar a perceber isso, pois já devem estar a ressentir-se com a crise.

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  4. Fábio VenturaJul 4, 2011 04:07 PM

    Concordo convosco. Enquanto autor, não me importava de ver reduzidos os preços dos meus livros. Ninguém entra no mercado literário a pensar que vai enriquecer e eu prefiro ter ver os preços mais baixos a ter vários futuros leitores tristes porque não podem pagar os livros. Daí ter referido a "adaptação" das editoras à crise. É um princípio básico da economia que com preços mais baixos se vende mais e se acaba por arrecadar mais dinheiro a longo prazo. O problema é que as editoras sozinhas não conseguem resolver isso. O fabrico e distribuição dos livros são muito caros e ainda há a margem de lucro de editores, autores e lojas. Não é um desafio nada fácil...

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  5. Entristece-me que tanto talento português tenha de batalhar diariamente para conseguir atingir o que deseja e a crise que se vive seja mais um (e forte) obstáculo para isso mesmo.
    No entanto, como leitor, não há nada mais frustante que pegar num livro que aparentemente parece ser interessante e ficarmos num impasse entre comprar/colocá-lo novamente na prateleira devido ao elevado preço...

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